Morre Pelé, o maior de todos os gênios do futebol

Não há adjetivos para definir o que foi Pelé como futebolista

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Pelé foi e sempre será um futebolista inigualável

Morreu na quinta-feira, 29, o homem Edson Arantes do Nascimento, aos 82 anos, o Pelé que estava internado no Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo, em decorrência de um câncer de cólon.

Pelé é considerado o maior futebolista de todos os tempos e inigualável por mais que queiram compará-lo com os argentinos Diego Maradona e Lionel Messi. A carreira e os recordes de Pelé marcaram uma época no futebol e mesmo quem não o viu jogando reafirma a sua extrema importância para o futebol mundial. 

Pelé colocou o Santos e a cidade no ampara mundi do futebol

Nascido em 23 de outubro de 1940, em Três Corações, Minas Gerais, Pelé começou sua carreira em 1953 no Bauru Atlético Clube, o Baquinho, em Bauri, interior de São Paulo, onde jogou até 1956, ano em que se transferiu para o Santos Futebol Clube, onde ficou até encerrar a carreira em 1974 aos 34 anos. Em 1975 decidiu retomar a carreira e foi jogar no New York Cosmos, onde jogou até 1977, quando decidiu encerrar a carreira definitivamente. 

Não há estatísticas de jogos e dos gols marcados no BAC, mas no Santos, Pelé disputou 1.116 partidas e marcou 1.071 gols; no NY Cosmos jogou 106 partidas e marcou 64 gols. Na seleção brasileira jogou entre 1957 e 1971, disputando 92 partidas e anotando 77 gols, tendo sido o primeiro futebolista a marcar mais de mil gols na carreira. Pelé marcou 1.283 gols na carreira entre jogos oficiais e amistosos.   

O ápice da sua carreira foi no Mundial do México em 1970, onde Pelé desfilou toda sua classe e mostrou parte do seu repertório técnico e tático em exibições memoráveis e a cena dos mexicanos carregando-o nos ombros e arrancando o seu uniforme até hoje corre o mundo. 

Pelé, o Atleta do Século

Pelé conquistou seis campeonatos brasileiros; uma Supercopa Sul-Americana; duas Copa Libertadores; dois Mundiais de Clubes; uma Recopa dos Campeões Intercontinentais; dez campeonatos paulistas; três Torneios Rio-São Paulo; um campeonato da North American Soccer League; três Copas do Mundo; uma Taça do Atlântico; uma Copa Roca; uma Taça Oswaldo Cruz e uma Taça Bernardo O’Higgins, além de dezenas de torneios amistosos. Em 2000, Pelé dividiu com Diego Maradona o prêmio de Melhor Jogador do Século da Fifa. Entre tantas honrarias, prêmios e comendas, Pelé foi eleito em 1980 como o Atleta do Século, em uma votação divulgada pelo jornal francês L’Equipe.

Isto é Pelé
Falando em bola…
É impossível não lembrar do maior de todos os astros – Pelé. Podem falar o que quiserem e de quem quiserem – Beckembauer, Cruyff, Maradona, Di Stefano, Platini, Zidane, Ronaldo, Garrincha, Eusébio, Romário e mais recentemente Messi, entre outros que ninguém vai superar o jogador Pelé, pois no futebol não houve ninguém como Pelé. 

Precoce    
Aos 17 anos foi convocado para a Copa do Mundo na Suécia e estreou fazendo gol e encantando o mundo todo. A sua foto chorando abraçado ao goleiro Gilmar até hoje é famosa e mostrou aos frios suecos que havia sim, emoção nos jogadores de camisa azul. Depois Pelé iniciou uma caminhada sem precedentes no futebol e colocou tanto a cidade, quanto o time do Santos no mapa-mundi do esporte mais praticado de todos os tempos. Com o Santos, Pelé ganhou tudo o que podia ganhar e o time reinou absoluto no futebol paulista e brasileiro durante uma década, atropelando adversários, destruindo defesas, derrubando conceitos e quebrando recordes. Neste período, somente dois times – Palmeiras e Cruzeiro fizeram frente ao Santos e alguns jogos entre eles tornaram-se inesquecíveis e entraram para os anais do futebol.

Inigualável  
No futebol não houve ninguém como Pelé. Desde que surgiu para o futebol no Bauru Atlético Clube, o Baquinho, o garoto mirrado e de pernas finas já era tido como um fenômeno que fazia de gato e sapato as defesas adversárias. Quando desembarcou em Santos, logo foi apelidado de ‘Gasolina’ e se tornou o xodó dos jogadores mais velhos do elenco. No entanto, persistiu e em pouco tempo era titular no meio de verdadeiras feras como Zito, Mengalvio, Dorval e Pepe. Lá mesmo no Santos, fez dupla com Coutinho, tida como uma das mais mortíferas em termos de finalizações e gols, dupla, que encantou o mundo do futebol e fez nascer a figura do volante, porque só um homem não bastava para parar Pelé.

Em 1970, o uruguaio Matosas sentiu na cara a fúria genial de Pelé

Genial e genioso
Se por um lado Pelé era genial em todos os aspectos, era também genioso em outros e não costumava deixar nada barato. As suas histórias de retaliação são notórias. No jogo contra o Uruguai na Copa do Mundo no México em 1970, cansado de ver e apanhar de Matosas, um zagueiro uruguaio, Pelé deu uma escandalosa cotovelada na cara do coitado que desabou em campo e o juiz ainda marcou falta contra o Uruguai. Pelé batia sem dó e nem piedade, e quando chegava para dar uma pancada em alguém, não mandava recado e as vezes pegava o outro desprevenido. Tinha também as malandragens. Uma vez contra o São Paulo, o jogo estava duro e truncado e a zaga não lhe dava espaço algum. Lá pelas tantas, resolveu que ia decidir o jogo e num lance dentro da área, enroscou-se com o zagueiro Samuel e prendeu o braço do adversário junto ao seu corpo e se atirou no chão gritando e levando-o consigo. O juiz não teve qualquer dúvida em marcar o pênalti. Furioso, Samuel tentou argumentar que não havia feito nada, mas o pênalti estava marcado e Pelé tratou de fazer o gol e sair dando risada.

Essa jogada de Pelé contra o Uruguai em 1970, teria sido o gol mais bonito de todos os tempos

Espetáculo
O Brasil deve as conquistas de 1962 e 1994 a Garrincha e Romário assim como a Argentina deve a de 1982 a Maradona e a de 2022 a Messi. Sozinhos, estes jogadores desequilibraram a favor das suas seleções e com justiça são lembrados até hoje. Para ver o quanto foram importantes é só ver as imagens de Garrincha balançando para um lado e saindo para o outro deixando seus pobres marcadores com cara de bobo, abrindo defesas e dando passes precisos para seus companheiros. Em 1986, no calorento México, Maradona fez de tudo, até gol com a mão para desespero dos afetados ingleses que até hoje reclamam. Já em 1994 o marrento e invocado Romário fez o que bem entendeu na concentração, treinou na hora e do jeito que quis, peitou e afrontou a dupla Parreira-Zagallo e com Dunga, o seu peixe foram os maiores vencedores de uma copa que a imagem mais lembrada é a da bola chutada para fora pelo italiano Roberto Baggio que deu o título ao Brasil, que vivia a ressaca da perda de Ayrton Senna.

Pelé eterno
Edson Arantes do Nascimento será sempre o melhor futebolista que o planeta bola já teve em todos os tempos. Superar Pelé, vai além de se conseguir fazer 1.283 gols. A arte e a magia de Pelé não estava nos gols marcados e sim na genialidade com que jogava futebol e ele sempre esteve acima de todos os futebolistas de qualquer era ou tempo. Sobre ele, o falecido mestre das palavras Armando Nogueira escreveu crônicas famosas. Armando tinha a percepção e a sensibilidade e sabia como ninguém colocar no papel aquilo que ia no seu coração. Este colunista não esquece de uma crônica que Nogueira escreveu sobre o maior jogador de todos os tempos.

“Bola na área, gol de Pelé”
“O fantástico Santos foi jogar na Argentina ou no Uruguai e o técnico orientou o time o tempo todo para que evitassem que a bola chegasse em Pelé. Durante algum tempo teve êxito, mas bastou uma bola, uma sequer para que Pelé fizesse o gol e Armando terminou assim a sua crônica “Pelé marcado, Pelé supermarcado. Bola na área. Gol de Pelé…”

Histórias da bola
Presente do Rei para a mãe do zagueirão
O Santos enfrentava o Vasco da temível dupla Brito e Fontana. Para enfrentá-los, os atacantes tinham que realmente ser corajosos e o time de Pelé tomava um passeio dos vascaínos que ganhavam por 2×0. Nada dava certo para Pelé que ainda por cima tinha que agüentar as provocações de Fontana que perguntava o tempo todo: – Ô Brito, você viu o Rei por aí? – Ô Brito, o Rei veio hoje? Entre outras piadinhas aqui, uma botinada ali e uma peitada acolá. Faltando cinco minutos para o fim do jogo Pelé marcou dois gols e ao buscar a bola no fundo da rede entregou-a para Fontana e disse: – Leva pra tua mãe e diz que foi presente do Rei…
Dizem que precisaram segurar o Brito para não bater no Fontana e este para não bater em Pelé… 

Bateu, levou
Quando ele mesmo não agia com maldade, tinha participação efetiva nos maus feitos. Gérson foi um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos e ao mesmo tempo que era genial, podia mostrar o seu lado mau e acabar com a carreira do engraçadinho que ousava bater impunemente. Gérson quebrou pernas de três jogadores ao longo da sua carreira. Uma foi quando era juvenil do Flamengo, a última foi de Vaguinho do Corinthians e a mais famosa, trágica e dramática foi a do peruano De La Torre. Em 1969 a Seleção Brasileira se preparava para a Copa do Mundo no México e jogava uma partida amistosa contra o Peru no Maracanã. Amistosa em termos, pois o estabanado e maldoso De La Torre batia a torto e a direito em qualquer um que vestisse camisa amarela. Bateu em todo mundo, inclusive em Gerson. Lá pelas tantas o Canhotinha de Ouro pediu que Pelé – que também não era flor que se cheirasse, lançasse uma bola entre ele e o peruano que Gérson ia dar uma lição inesquecível. Na primeira oportunidade Pelé fez o que Gerson pediu e De La Torre engoliu a isca e partiu para cima de Gerson que deu uma solada quebrando a perna do zagueirão. Teve gente que até hoje jura que deu para ouvir o estalo e o grito do peruano na arquibancada. Nunca mais De La Torre jogou bola…