Envolvido em chacina, brasileiro é indiciado por fraude de visto e perjúrio

Antonio José de Abreu Vidal Filho mentiu para obter o visto americano

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Antonio José de Abreu Vidal Filho é um dos condenados pela Chacina do Curió. Foto: ERO/Boston

O ex-policial militar do Ceará, Antonio José de Abreu Vidal Filho, 30 anos, que está preso desde agosto de 2023, pelo Enforcement and Removal Operations (ERO) Boston em Rye, New Hampshire, depois que teve o seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol, e está desde então sob custódia federal, foi indiciado na quarta-feira, 29, pela Corte Distrital Federal em Boston, por usar e obter um visto obtido de forma fraudulenta para entrar nos Estados Unidos e mentir em seu pedido de asilo.

Abreu Vidal Filho teria deixado de revelar às autoridades de imigração o seu envolvimento nos assassinatos de onze pessoas, a maioria adolescentes no Ceará, em retaliação pela morte de um policial, um caso que ficou conhecido como “A Chacina do Curió”. Abreu Vidal Filho foi condenado pela Justiça do Estado do Ceará em 26 de junho de 2023 a uma pena de 275 anos e 11 meses, pela sua participação e envolvimento na “Chacina do Curió”.

Antonio José de Abreu Vidal Filho, foi indiciado por duas acusações de fraude de visto, duas acusações de perjúrio e uma acusação de falsificação, ocultação e encobrimento de fato relevante. Após a primeira audiência teve decretada a detenção enquanto aguarda uma audiência marcada para 5 de junho de 2024.

De acordo com a acusação, em 9 de junho de 2017, enquanto estava em Recife, Brasil, Abreu Vidal Filho solicitou um visto de visitante B2 de não-imigrante dos Estados Unidos. Quando questionado se já havia sido preso ou condenado por algum delito ou crime, respondeu “não”. Em junho de 2017, o Departamento de Estado dos Estados Unidos aprovou o pedido de visto de De Abreu e emitiu-lhe o visto B2 com base nas suas alegadas declarações falsas no pedido de visto. Abreu Vidal Filho utilizou o visto B2 e viajou para Miami no dia 30 de maio de 2018.

Entre 30 de maio de 2018 e 14 de agosto de 2023, como resultado da aprovação do seu pedido de visto, obteve diversas carteiras de motorista estaduais, cartão do Social Security, documentos de viagem e autorizações de emprego.

Em 29 de janeiro de 2020, Abreu Vidal Filho solicitou asilo e teria mentido mais uma vez, quando lhe perguntaram se alguma vez tinha sido acusado, detido, interrogado e preso em qualquer país que não os Estados Unidos. Ele também não citou sua prisão e detenção no Brasil quando solicitou ajuste de status junto ao U.S. Citizenship and Immigration Service (USCIS).

Em uma audiência de imigração que aconteceu em 9 de fevereiro de 2024, Abreu Vidal Filho testemunhou sob juramento e novamente alegou que nunca tinha mentido aos funcionários da imigração e que a única razão pela qual omitiu informações importantes sobre os documentos de imigração apresentados ao governo dos Estados Unidos foi porque ainda não tinha sido preso.

A acusação de uso indevido de vistos, autorizações e outros documentos prevê pena de até dez anos de prisão, até três anos de liberdade condicional e multa de até US$ 250 mil. A acusação de perjúrio prevê pena de até cinco anos de prisão, até três anos de liberdade condicional e multa de até US$ 250 mil. A acusação de falsificar, ocultar e encobrir fato relevante prevê pena de até cinco anos de prisão, até três anos de liberdade condicional e multa de até US$ 250 mil.

Chacina do Curió
Na noite de 11 de novembro de 2015, o policial Valtemberg Chaves Serpa, 32 anos, foi assassinado ao defender sua namorada em um assalto e PMs colegas dele, trocaram mensagens de celular e se organizaram para vingar a sua morte. Do final daquela noite até a madrugada do dia 12, assassinaram onze pessoas, sendo que nove delas tinham entre 16 e a 19 anos e todas elas moravam nos bairros de Curió, São Miguel, Messejana e Lagoa Redonda, na periferia de Fortaleza. Três dos mortos tinham passagens pela polícia, por delitos sem gravidade.

Investigações apuraram que os PMs usaram viaturas descaracterizadas e veículos com placas adulteradas, sendo que muitos deles estavam encapuzados. Ao todo o Ministério Público cearense denunciou 45 agentes policiais – a Justiça excluiu o comandante, que havia sido acusado de omissão e outros dez foram excluídos do processo por falta de provas.

Foram assassinados Antonio Alisson Inácio Cardoso, 17 anos; Francisco Enildo Pereira Chagas; 41 anos; Jandson Alexandre de Sousa, 19 anos; Jardel Lima dos Santos, 17anos; José Gilvan Pinto Barbosa, 41 anos; Marcelo da Silva Mendes, 17 anos; Patrício João Pinho Leite, 16 anos; Pedro Alcântara Barroso, 18 anos; Renaylson Girão da Silva, 17 anos; Valmir Ferreira da Conceição, 37 anos e Alef Souza Cavalcante, 17 anos.

A ‘Chacina do Curió’, é considerada a maior da história de Fortaleza. Além de Vidal Filho, já foram julgados os ex-PMs Ideraldo Amâncio, Marcus Vinicius Sousa da Costa e Wellington Vera que foram considerados culpados de 11 homicídios qualificados, três tentativas de homícidio com qualificantes, três crimes de tortura física e um de tortura mental. Outros oito acusados serão julgados em 29 de agosto e mais oito em 12 de setembro de um total de 30 acusados pelos mesmos crimes. 

Jehozadak Pereira

Jehozadak Pereira é jornalista profissional e foi editor da Liberdade Magazine, da Refletir Magazine, do RefletirNews, dos jornais A Notícia e Metropolitan, do JS News e jornalista da Rede ABR - WSRO 650 AM. Foi articulista e editorialista do National Brazilian Newspaper, de Newark, New Jersey. É detentor de prêmios importantes tais como o Brazilian Press Awards e NEENA - New England Ethnic Newswire Award entre outros