E por falar em impulsividade…

Em boca fechada não entra mosquito

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Aprenda a controlar os seus impulsos. Ilustração

Impulsividade aos olhos de muitos é uma coisa natural e uma questão de perfil de comportamento, mas que na verdade vai muito além disso e pode trazer consequências desastrosas. Você com certeza deve conhecer e até mesmo ter um comportamento em que diz: “Eu sou assim mesmo, falo o que penso o que vem  a boca sou uma pessoa direta, faço e falo o que tenho vontade e acho que devo de fazer ou falar”. Parafraseando Clarice Lispector, “Sou composta por urgências; minhas alegrias são intensas; minhas tristezas absolutas. Me entrego de ausências me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos”. 

Esta pessoa com certeza tem comportamento de impulsividade. Em psicologia, a impulsividade é uma tendência para agir precipitadamente, exibindo um comportamento sem uma reflexão anterior, com pouca ou nenhuma previsão ou consideração das consequências. As ações impulsivas são tipicamente inadequadas e frequentemente resultam em consequências indesejáveis. No entanto, se essas ações acabam positivamente, elas passam a ser vistas como indicadoras de ousadia, rapidez, espontaneidade ou coragem mas na verdade a impulsividade pode ser classificada como um construto multifatorial. 

Há várias razões para um comportamento impulsivo: urgência positiva ou negativa de conseguir ou evitar alguma coisa, busca de sensações agradáveis e baixa conscientização das ações, representada por falta de planejamento ou perseverança. As principais características da impulsividade, demonstram que a impulsividade é uma faceta da personalidade e um dos principais sintomas componentes de vários distúrbios, incluindo: transtorno do deficit de atenção; uso de substâncias ilegais; transtorno bipolar; transtorno de personalidade antissocial; transtorno de personalidade borderline e outros. Podendo ser considerados como padrões anormais os quais também foram observados em casos de lesão cerebral adquirida e doenças neurodegenarativas. 

A pessoa impulsiva é alguém que age sem pensar sobre as consequências de suas ações e sem ponderar suas opções, muitas vezes, essas ações podem, inclusive, prejudicar terceiros, pessoas que estão ao seu redor, e não somente o impulsivo. Essa característica na personalidade quase sempre é acompanhada por sentimentos de arrependimento e culpa.

Ser espontâneo às vezes não é um problema , traz um novo ânimo para o dia a dia, mas pessoas impulsivas são espontâneas demais e sempre têm que arcar com as consequências depois. Mas a boa nova é que este é um comportamento que como outros pode ser tratado e obter resultados positivos, mas necessita de aceitação, entrega e empenho, da pessoa impulsiva.

O primeiro passo para lidar com sua impulsividade é compreender quando ela chega. Em que momentos você está deixando de pensar antes de agir? Em que aspecto da sua vida a impulsividade está prejudicando mais, e onde ela não é tão prejudicial assim? Ela é o resultado de ansiedade, nervosismo, medo de não saber lidar com a escolha?

Depois que descobrir a fonte de seu problema, saiba que lutar contra seus impulsos é um exercício diário. Você não vai deixar de ser impulsivo da noite para o dia. Um dia após o outro, lutando com um impulso por vez, é que você vai melhorar e se tornar mais ponderado e consciente. Esse esforço diário pode ser penoso e, por isso, sempre é recomendado buscar ajuda profissional para lidar melhor com a situação.

A ajuda psicológica vai ajudá-lo, primeiro, procurando a fonte de seu problema e descobrindo de onde vêm os seus impulsos. Se eles são originados em um estresse, mal-estar, medo ou ansiedade, esse problema também precisa ser tratado para que você saiba como controlar a impulsividade. Este especialista vai ajudá-lo a identificar o problema e também a tratá-lo da melhor forma possível.

Além disso, o psicólogo pode ensiná-lo como lidar com as situações quando seus impulsos chegam ao longo do dia. Se seus impulsos o levam a comer demais, ele pode dar exercícios para evitar os exageros. Se você toma decisões muito precipitadas, ele pode ensiná-lo como pensar melhor antes de toma-las. Em outras palavras, ele identifica o problema específico e o orienta para manter a impulsividade sob controle.

Procurar a ajuda de um especialista é a melhor maneira de lidar com seus problemas psicológicos. Mesmo que seja algo que pareça fácil de controlar, na correria do dia a dia, você pode deixar de pensar nisso e voltar aos seus velhos hábitos. Com o auxílio de um psicólogo, você vai se manter mais focado e sempre vai ter alguém com quem falar sobre seu problema e tratamento. Cuidado com a impulsividade.

Eliana Pereira Ignacio

Eliana Ignacio é Psicóloga formada pela PUC - Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica. É especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo, Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas; especializada em Atendimento Familiar pelo Grupo Mineiro de Psicologia Humanista. IFL - Instituto Fraternal de Laborterapia em São Paulo. Psicoterapia - Holística. FEBRACT- Federação Brasileira das Comunidades Terapêuticas. DENARC Departamento de Investigação sobre Narcóticos. Conselheira junto ao núcleo de Psicologia Social e Políticas Públicas do Alto São Francisco. Conselheira junto ao SENAD - Secretaria - Nacional de Políticas sobre Drogas - Governo Federal.

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Eliana Pereira Ignacio
Eliana Ignacio é Psicóloga formada pela PUC - Pontifícia Universidade Católica – com ênfase em Intervenções Psicossociais e Psicoterapêuticas no Campo da Saúde e na Área Jurídica. É especializada em Dependência Química pela UNIFESP Escola Paulista de Medicina em São Paulo, Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas; especializada em Atendimento Familiar pelo Grupo Mineiro de Psicologia Humanista. IFL - Instituto Fraternal de Laborterapia em São Paulo. Psicoterapia - Holística. FEBRACT- Federação Brasileira das Comunidades Terapêuticas. DENARC Departamento de Investigação sobre Narcóticos. Conselheira junto ao núcleo de Psicologia Social e Políticas Públicas do Alto São Francisco. Conselheira junto ao SENAD - Secretaria - Nacional de Políticas sobre Drogas - Governo Federal.